quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Festa da Fe na Feira




Procuro retratar com paixão a cidade de São Paulo. Não focalizo minha atenção na impermeável dureza desse chão, mas nos brotos que escapam pelo asfalto.
Meus quadros a óleo apresentam paisagens do Parque do Ibirapuera e do CEAGESP, lugares abençoados a que pertencem minhas manhãs de domingo.
Focalizo minha atenção, observando cenas cotidianas. Essas imagens sentidas e incorporadas ao meu próprio universo percorrem meus pulmões, garganta e olhos, saindo pelas mãos em pinceladas quase abstratas. Sinto-me o próprio Poppeye após receber seu espinafre...
Espinafre do meu CEAGESP.
Sou atraída pelo verde das folhas, das verduras e das portas. Por todos os marrons que misturo com azuis. Com o vermelho, trabalho por obrigação. O branco é dono de mim, como o amor que sinto. O laranja e o amarelo essencialmente tão alegres, se apagam nas minhas telas. Telas serenas, quase pastéis...
Pastéis do meu CEAGESP.
A insatisfação que me acompanha a cada dia, levando-me à busca da superação, contrasta com a alegria que sinto ao final de cada dia por me cansar fazendo o que mais gosto: pintar.
Quero pintar a vida inteira, cumprir meu destino e minha compulsão. Quero caprichar nessa cidade de São Paulo, tão paradoxalmente solitária e cinza, apesar do tanto de gente e de cor. Quero chamar a atenção para a vida que flui devagar e sempre, apesar da ilusória correria; para a solidão existencialista, apesar da população que sou; Afinal, quero mostrar o vento que carrega para longe as buzinas e os medos; rostos que nos permitem trocar informações e brotos que escapam pelo asfalto, só para me mostrar o Divino.
O Divino do meu CEAGESP.

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