quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Discussões


Dizem que assuntos como futebol, política e religião não devem ser discutidos. Deve ser porque todos eles fatalmente acabam em briga, pois envolvem a questão do sentimento profundo.
Na maioria das vezes herdamos essas paixões de nossos pais ou de algum herói de nossa infância. É algo realmente forte e que determina muitas personalidades.

Acredito que o banco da igreja e a arquibancada do estádio sejam lugares onde as pessoas da mesma família finalmente conseguem entrar em comunhão e dividir esperanças. O mesmo acontece nos almoços de domingo, quando todos se reúnem para falar sobre a situação do país.

Infelizmente a intolerância não nos permite discutí-los, pois queremos convencer os outros de que temos a razão, quando eles querem exatamente a mesma coisa. Algumas pessoas chegam ao ponto de matar outra, só porque ela está vestindo uma camisa que não tem as mesmas cores do seu time. Lamentável.

Por incrível que pareça, consigo conversar com qualquer pessoa sobre qualquer um desses assuntos. Já torci para diversos times de futebol, já votei em pessoas de diversos partidos, já rezei para várias divindades…

Os únicos assuntos que não posso discutir com ninguém são arte e ecologia. Daí sim, eu brigo.

Da mesma maneira que acontece com os outros três assuntos, apenas as pessoas que dividem comigo o mesmo amor irrestrito conseguem me entender.

Normalmente as pessoas acham que ecologista é aquele cara chato, que não come carne e fica tentando doutrinar os outros. A intolerância mais uma vez aparece: de um lado a incapacidade de compreender e respeitar um sentimento tão bonito que é o amor pela natureza. Do outro, a revolta de ver como alguém pode não amar esse planeta, essas árvores e ficar de braços cruzados diante dos problemas ambientais – e sociais! – que estão por toda parte…

No campo da Arte esse tipo de intolerância também se faz presente. Há aqueles que adoram o abstrato e detestam o figurativo e vice-versa. Trocar idéias é sadio e importante. O que critico é a maneira como agimos. Quando o sentimento entra em jogo fica difícil manter o raciocínio coerente, a não ser que se saiba respeitar a diferença.

Imagine que pesadelo um mundo onde todos torcessem pelo Yakissoba, votassem no Pavarotti e rezassem ao Santo Enéas? Essa mistura de temperos, cores e pensamentos fazem desse mundo um lugar genial para se viver. Acho que só falta mesmo uma quantidade significativa de respeito.

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