sexta-feira, 9 de maio de 2014

Que paraíso é esse em que tantas mães padecem?

A palavra paraíso não combina com sofrimento... mas essa confusão de imagens traduz bem essa experiência extraordinária que é ser mãe.

Ser mãe é viver num universo muito complexo de sentimentos. Ao mesmo tempo em que amamos, frequentemente nos cansamos. Ao mesmo tempo em que temos fé que nossos filhos estarão sempre bem, tememos por eles. Rimos, choramos, sentimos todos os tipos de medos - até de pernilongos-, enfrentamos inseguranças com relação a nossas ações e nem sempre conseguimos nos livrar das expectativas que criamos.

Hoje de manhã, refletindo sobre o paraíso e a maternidade, me veio um pensamento, uma ideia de que o paraíso reside na consciência tranquila. Mas será que é possível atingir essa tranquilidade? O que significa isso?

Paz. Se não for possível conquistá-la em sua plenitude, podemos ao menos fazer alguns exercícios para chegar perto dela.

Acredito que a primeira coisa a fazer é se conhecer. Se entender como alguém que comete falhas, mas que nem por isso deixará de fazer o melhor que puder. Aliás, justamente porque sou falível, farei o meu melhor.

Achar a Paz é se perceber, conseguir se observar nas horas de nervosismo e aflição. Essa percepção já muda muita coisa, como um despertador tocando no meio do pesadelo.

Durante a minha gravidez eu consegui essa façanha de me sentir em paz, mesmo trabalhando até de madrugada. Eu tive a sorte de escolher um companheiro mais do que companheiro, o que adiantou em 50% essa conquista.

Mas os medos que rondam essa fase não me abalaram tanto, porque eu fiz o melhor que pude: um pré-natal com um médico mais do que confiável, não fumei, não bebi, evitei remédios a todo custo, me alimentei bem e bebi muita água. Quando algum medo me visitava, eu encontrava a tranquilidade pensando que o bebê já estava vivendo a história dele. A saúde do neném, a sua formação física, a sua sobrevivência, estavam totalmente fora do meu alcance. Tudo o que viesse a acontecer seria a história dele (no meu caso, dela). Eu fui, assim, mera expectadora do milagre da vida.

Como mãe de primeira viagem, comecei a rever a minha relação com a minha própria mãe a partir do momento em que tive a certeza de que estava gestante. Não preciso dizer que chorei muito. Muito. E isso porque fui muito boa filha.

Mas acontece que o amor e a admiração que tive pelo meu pai acabaram por nublar a visão de tudo o que a Dona Heloisa sempre fez por mim.

De repente vi. Ela trocou minhas fraldas. Ah! Trocar fraldas é uma imagem comum para qualquer pessoa (todo mundo sabe que sua mãe trocou suas fraldas... dependendo da idade e da condição financeira que se tenha, sabe até que a mãe lavou essas mesmas fraldas!). Mas vi minha mãe me ensinando a falar, a comer com o talher, a desenhar, a pintar, a recortar e colar com casca de ovo. Vi minha mãe me ensinando a me comportar na casa das pessoas, no banco da igreja, na loja, na rua, a arrumar meu quarto, amarrar o sapato. Ela estava do meu lado nas dores de barriga e me levava bolachas de água e sal com queijo na cama em todas as minhas crises. Ela simplesmente me levou a todos os lugares, à escola, ao parque, ao aniversário... E não foi por um ano ou dois. Acho que não vou conseguir agradecer devidamente por tudo. E nada disso foi feito para que eu agradecesse, visto que só percebo agora!

Nessas datas comemorativas, feliz daquele que percebe que tem alguém a agradecer. Sei que muitos não têm as melhores lembranças. Nesses casos a única maneira de perdoar é compreender o outro. Se colocar nos sapatos surrados do outro e fazer diferente, para não carecer da compreensão e do perdão de alguém.

Mas, voltando ao assunto: a dica é aproveitar a curta vida para agradecer. É mais fácil do que parece. E mais gostoso também. Não importa como a outra pessoa irá reagir. Assim como na gravidez, só temos poder sobre as nossas ações. Mas que as nossas atitudes sejam as melhores possíveis.

Minha mãe me ensinou que é mais gostoso dar do que receber. E é mesmo.

Então, que nesse dia das mães estejamos mais engajados em agradecer do que em receber a gratidão.
Quem não puder, não tiver mais tempo para dizer à pessoa que lhe cuidou o quanto sente de gratidão, faça uma prece na sua religião. E procure outras pessoas que você reconhece que merecem um abraço apertado nesse dia.

Eu vou agradecer às minhas avós em oração (porque avó é a melhor coisa do mundo)... à minha sogrinha também, por tudo que fez pelo meu marido. Ela foi uma mãe muito lutadora, um exemplo de fortaleza a ser seguido. E hoje, para a minha felicidade, recebe toda a minha gratidão, por tudo o que tem feito por mim e pela minha filha.


Agradeço à minha cunhada, que foi mãe de duas lindas princesas de uma vez só, e que tem toda a minha admiração pela maneira doce e amorosa com que cuida das minhas afilhadinhas. Dos meus dois coraçõezinhos gêmeos que batem fora do meu peito.

Agradeço às amigas da minha mãe, que foram carinhosas comigo e colaboraram para a estrutura da minha personalidade. O carinho delas me impacta até hoje, embora elas não saibam.

Agradeço às minhas amigas que são exemplos de amor de mãe pra mim também. E agradeço às mães dos meus amigos.

Agradeço à Nanilda, que esteve ao lado da minha mãe nessa jornada e me deu vida com sua comida.

Agradeço à minha mãe e agradeço à minha filha, por me ensinarem essa nova forma de amor.

Que Deus abençoe a todas!


O Paraíso é ter vocês, nesse mundo tão lindo e tão difícil.



1 Comments:

Blogger Sonoduca said...

Que orgulho de vocês, meus afilhados...
Que Deus multiplique muito este amor...
Lindos dias das mamães

10 maio, 2014  

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