sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Vento a Favor


Da década de 80 para cá a febre de instalações, performáticas e intervenções vem dominando as novas gerações de eventuais postulantes a artistas. Alguns até conseguem atingir resultados satisfatórios, evidenciando qualidade em seus trabalhos, fruto de pesquisas sérias e persistências na busca de soluções inventivas.
A maioria, no entanto, não atinge o mínimo. São produções inconsistentes, efêmeras (em todos os sentidos) e que servem tão-somente para discussões e comentários entre os próprios praticantes.
Daí que obras a exigir concentração, sensibilidade e principalmente virtudes de sólida realização vão ficando para um seleto grupo. Rareiam na atualidade bons desenhistas, pintores, escultores gravadores e áreas afins exatamente pelas exigências e dificuldades do mister.
Um dos jovens em busca de afirmação na pintura de São Paulo é Fernanda Rodante. Com apenas seis anos de estudos e práticas contínuas no improvisado ateliê no jardim de sua casa, já estabeleceu a meta a atingir. Começa a tocá-la.
Mesclando áreas abstracionistas com figuras, simbólicas ou em formas explícitas, ela obtém equilíbrio nas linhas e cores. Nestas, evita o uso acentuado das vibrações cromáticas, optando pela maleabilidade do branco e cores neutras. Consegue múltiplas imagens, algumas desafiadoras, como se envoltas em brumas.
Adepta dos movimentos do vento, de pipas e cataventos, quase sempre presentes em seus quadros, Fernanda abriu caminho para uma sólida realização.

Ivo Zanini
Membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte
SP - Março de 2002

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